Agricultores do Projeto Bioágua adotam prática agrícola que proporciona melhoria do solo

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A implantação de um sistema que reutiliza a água cinza produzida nas residências para irrigação não foi a única inovação que o Projeto Bioágua Familiar trouxe para a vida dos agricultores familiares. Graças aos técnicos do Projeto, uma nova prática agrícola que traz benefícios para o solo agora faz parte da rotina dos produtores: a adubação verde.

“Culturalmente as famílias repetem o plantio de hortaliças várias vezes no mesmo lugar. Isso, com o tempo, vai tirando todos os nutrientes que as plantam necessitam para se desenvolver. A técnica da adubação verde vem repor esses nutrientes, para que haja um fortalecimento do solo e maior desenvolvimento tanto da quantidade quanto da qualidade das culturas”, explica Luiz Monteiro Neto, instrutor de manejo sustentável do Projeto Bioágua Familiar.

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Mucuna Preta

 “Na adubação verde você corta em picadinhos a mucuna preta e a crotalária, as coloca no canteiro e cobre com terra. Aí passa 45 dias aguando. Isso vai servir para fortalecer o solo, para que fique mais forte e produza melhores hortaliças”, explica a agricultora Sergilânia Luzia da Silva, do assentamento Nova Morada, em Caraúbas/RN, que não só aprendeu a técnica, como ainda ensina outras famílias a replicá-la. Os canteiros nos quais ela fez a adubação verde, já têm destino certo: “Depois dos 45 dias, vou plantar beterraba, alface e cheiro verde. Vou usar essas hortaliças pro consumo de casa, e se sobrar, vamos vender também”.

Crotalária

Crotalária

“No momento, os agricultores familiares integrantes do Projeto Bioágua utilizam crotalária, feijão de porco e mucuna preta com uma proposta de formação de um banco de sementes, para viabilizar a sustentabilidade do projeto nessa área”, comenta Luiz Monteiro.

Além de repor os nutrientes do solo, a prática traz outros benefícios: melhora as propriedades físicas e orgânicas do solo; promove a retenção de umidade do solo devido à cobertura morta das plantas depositadas no solo; diminui a infestação de plantas invasoras; auxilia no controle da erosão; aumenta a produção em quase todas as culturas; e auxilia no controle de nematóides.

“Em um modo geral, os agricultores familiares receberam dos seus antecedentes um legado cultural das práticas agrícolas tradicionais, em que a conservação ambiental era totalmente desconhecida. Por esse motivo, a queima, os plantios nos mesmos locais e o monocultivo sempre predominaram na vida deles. O projeto Bioágua veio proporcionar um novo momento  aos  agricultores familiares, com novas práticas de plantios até então desconhecidas no âmbito familiar.  A adoção dessas práticas pelas famílias passou por uma construção coletiva e com respostas consistentes como resultados. Hoje os agricultores se tornaram multiplicadores dessas técnicas em suas comunidades”, destaca o instrutor.

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