Bioágua Familiar aumenta água disponível para produção de alimentos no Semiárido

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Na propriedade da agricultora Cícera Maria Bezerra, no Assentamento Nova Morada, em Caraúbas/RN, a horta está verde e as refeições, repletas de verduras. Em pleno Semiárido nordestino, que já registra quatro anos de estiagem, a fartura e diversidade de cultivos que garantem a segurança alimentar da família de Cícera só é possível graças ao Bioágua Familiar, tecnologia que reutiliza a água cinza – a água que sobra do banho, da lavagem da roupa e da louça – para irrigação de quintais produtivos. Ao longo de quase cinco meses, o Bioágua Familiar na propriedade da agricultora promoveu o reuso de mais de 65 mil litros de água, uma média de 450 litros por dia; líquido que, antes da instalação da tecnologia de reuso de água, seria desperdiçado, jogado a céu aberto, resultando em poluição do solo e mau cheiro.

“A grande vantagem do Bioágua é que não preciso mais comprar verduras e elas estão sempre frescas. Quando dependíamos da feira, nós comprávamos a cada 8 dias, e agora colhemos sempre que precisamos”, comenta Cícera. Num único dia, o Bioágua na propriedade da agricultora chegou a promover o reuso de 1.929 litros de água cinza, quantidade bastante significativa e que é mais que suficiente para irrigar sua produção de hortaliças, as quais são usadas para consumo familiar, e o excedente, vendido em feiras para aumentar a renda.

A quantidade de água cinza produzida nas propriedades e reutilizada nos sistemas varia de acordo com três principais fatores: acesso à agua, uma vez que quanto mais fácil o acesso, maior será o consumo; o número de pessoas da família, pois mais pessoas significa mais consumo e, portanto, mais água cinza gerada; e a infraestrutura hídrica da casa – no caso, quantidade de torneiras, chuveiros, presença de cisternas, etc. A maior parte da água cinza gerada é oriunda de pias, chuveiros e tanques de lavar roupa.

Atualmente, 15 Sistemas Bioágua Familiar estão sob monitoramento para avaliar a quantidade de água produzida. Os próprios agricultores anotam diariamente os valores registrados nos hidrômetros instalados no Bioágua Familiar de suas propriedades. Boletins com uma breve análise técnica de fácil compreensão, publicados periodicamente e disponibilizados no site do Projeto Bioágua Familiar, permitem ao público acompanhar o resultado desse monitoramento.

“Acredito que, hoje, devido ao contexto que vive a agricultura familiar no Semiárido, depois dos programas de estocagem de águas da chuva bastante difundidos no país, o reuso de água cinza é um grande avanço para um salto de qualidade da vida no Semiárido e o SBF é pioneiro no assunto para esta região”, destaca Ricardo Blackburn, consultor para tratamento de dados e sistematização do Projeto Bioágua Familiar.

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